
Chama-se Valter Cardeal o principal auxiliar de Dilma Rousseff no setor elétrico. Conhecem-se há pelo menos duas décadas.
À época em que Dilma era secretária de Energia do governo do Rio Grande do Sul, Cardeal era diretor da estatal energética gaúcha.
Guindada ao posto de ministra das Minas e Energia em 2003, primeiro ano da gestão Lula, Dilma acomodou Cardeal em sua equipe.
Ocupa a diretoria de Engenharia da Eletrobras. Nessa função, gerencia o Proinfa (Programa de Incentivo ao uso de Energias Alternativas).
Pois bem. Em notícia veiculada neste domingo, os repórteres Silvio Navarro e Fernanda Odila contam o seguinte:
1. Irmão de Valter Cardeal, o empresário Edgar Luiz Cardeal atua como consultor de empresas interessadas em investir em energia eólica.
2. A energia extraída do vento é justamente um dos alvos do Proinfa, o programa gerido pelo Cardeal da Eletrobras.
3. No PAC 2, o programa que Dilma trombeteia na campanha, foream alocados R$ 9,7 bilhões para investimentos em energia eólica.
4. Edgar, o Cardeal que se move no lado empresarial do balcão, é dono da DGE (Desenvolvimento e Gestão de Empreendimentos).
5. Por meio dessa logomarca, Edgar oferece às empresas projetos para o soerguimento de torres de energia eólica em fazendas.
6. Um de seus clientes é Ricardo Pigatto, sócio de duas empresas do ramo. Contou à reportagem: "Estabelecemos um valor fixo, com pagamentos mensais e, depois, uma taxa de sucesso se o negócio der certo".
7. A “taxa de sucesso” varia de 0,2% a 10%. É paga sempre que o governo compra a energia produzida ou se o negócio é vendido a terceiros.
Neste domingo (17), Dilma foi instada a comentar a movimentação do Cardeal empresário nas franjas do setor confiado ao Cardeal levado por ela ao governo.
Primeiro, a candidata petista disse: "Essa é uma questão que eles têm de responder".
Depois, tachou a notícia de "estranha, porque ela se desmente no final". Não esmiuçou o raciocínio.
A revista Época já havia ligado Dilma a Cardeal em notícia sobre suposta fraude num milionário empréstimo internacional.
Para Dilma, mera "fofoca". Coisa produzida por uma "central de boatos". A revista informara, em essência, o seguinte:
O banco KfW, controlado pelo governo alemão, entrou com ação contra a CGTEE, subsidiária da Eletrobras, cujo conselho de administração é presidido por Cardeal.
Alega que a CGTEE deu garantias falsas para empréstimo de financiamento de usinas de biomassa na região Sul.
Sustenta, de resto, que o conselho presidido por Cardeal, o braço-direito de Dilma, tinha conhecimento da freagilidade das garantias. Ouça-se Dilma:
"Acho bom que, na campanha eleitoral, a gente cuide as fofocas [sic]. Quem está falando isso está beneficiando o banco...”
“...O banco é um banco alemão que, como fez e aceitou um empréstimo com um aval ilegal, está querendo hoje ganhar essa questão [em] que ele errou...”
“...Conseguiu um aval de um diretor que foi demitido. Aí o banco está alegando que as pessoas sabiam. Primeiro porque você não pode ter um aval de um diretor só...
“...Segundo porque aval de pessoas ou de empresas estatais para privados é ilegal. Então o que o banco está fazendo é chorando...”
“...E o que a central de boatos está fazendo, ao invés de defender o Brasil, está defendendo banco estrangeiro",.








