Pesquisar este blog

Total de visualizações de página

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Mínimo: Planalto cobra do ministro Lupi votos do PDT

  Marcello Casal/ABrO ministro Carlos Lupi (Trabalho) tornou-se, nos subterrâneos do Planalto, alvo de apimentadas críticas.
Dissemina-se ao redor de Dilma Rousseff a impressão de que Lupi esquiva-se de assumir, com a ênfase devida, a defesa do salário mínimo de R$ 545.
Guindado à Esplanada por Lula, Lupi foi mantido por Dilma. Representa no ministério o PDT.
O mesmo PDT que, sob influência de Paulo Pereira da Silva (SP), deputado e presidente da Força Sindical, ameaça votar contra o governo.
Paulinho da Força, como o deputado é chamado, cabala votos na Câmara em favor do mínimo para R$ 560 (chegou a defender R$ 580).
A bancada de deputados do PDT soma 28 votos. Na semana passada, a legenda esquivou-se de assumir compromissos com o governo.
Na noite deste domingo (13), em conversa com o repórter, um auxiliar de Dilma estranhou o silêncio de Lupi, principal liderança do PDT.
Tachou o mutismo do ministro ora de "incompreensível" ora de “inadmissível”.
Disse que nada diz mais respeito ao ministro do Trabalho do que a fixação do valor e da política de reajuste para o salário mínimo.
Afirmou que, a essa altura, Lupi deveria estar “suando a camisa” na defesa das teses do governo.
Insinuou que se espera do ministro: entrevistas enfáticas, visitas à Câmara, reuniões "seus" deputados.
A votação do projeto do salário mínimo está marcada para esta quarta-feira (16).
A Câmara será convertida em “praça de guerra”, prevê o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).
Os deputados votarão sob o clamar de galerias apinhadas de trabalhadores. Gente arrebanhada pelos sindicatos.
As centrais, à frente a Força de Paulinho e a CUT, braço sindical do PT, descem ao front em trincheira oposta à de Dilma, a quem deram apoio na eleição.
Na batalha do mínimo, o baronato sindical faz aliança não declarada com os oposicionistas PSDB e DEM. E tenta seduzir governistas insatisfeitos.
Nesta segunda (14), em reunião com os operadores políticos de sua tropa, Dilma deve repisar uma máxima que converte aliados em reféns.
A presidente guia-se por um raciocínio que expôs em encontro com ministros, na véspera do anúncio do corte de gastos de R$ 50 bilhões.
Referindo-se à votação do mínimo, Dilma declarou: Aliado pela metade não existe. Quem votar contra os R$ 545 vai à vala comum dos adversários.
Líder de Dilma na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PP-SP) cuidou de ecoá-la no final de semana.
Disse: deputado de legenda governista que votar contra o governo será catalogado como “dissidente”.
Ficou subentendido que os 'silvérios' perderão a preferência na partilha de verbas e cargos. Sob o silêncio de Lupi, Paulinho dá de ombros.
No esforço que empreende para abrir uma fenda no consórcio governista, o deputado recorda aos colegas que suas emendas já foram passadas na lâmina.
Deputados e senadores penduraram no Orçamento de 2011 emendas avaliadas em R$ 21 bilhões. Desse total, foram alcançados pela faca R$ 18 bilhões.
Na terça (15), véspera do ‘Dia D’, vai à Câmara o ministro Guido Mantega (Fazenda). Em sessão aberta, debaterá com representantes das centrais.
Foi uma das exigências da oposição para concordar com a votação a toque de caixa, já na quarta.
A outra condição foi o voto aberto, com o nome dos deputados expostos no painel eletrônico. Nos dois casos, tenta-se produzir constrangimento.
Os pelotões da Câmara movem-se contra um pano de fundo que inclui a partilha das poltronas do segundo escalão do governo Dilma.
Considerando-se o discurso oficial, só estarão credenciadas para fazer indicações as legendas que obedecerem o governo.
Levando-se o discurso a fronteiras extremas, só teriam autoridade para continuar na Esplanada os ministros de partidos comprometidos com os R$ 545.
Já neste primeiro confronto legislativo, expõe-se a natureza da coligação partidária que dá suporte ao “novo” governo.
Fica entendido que, a exemplo de todos os antecessores, Dilma formou não um ministério com os melhores nomes, mas um gabinete politicamente rentável.
Serve-se agora da única linguagem que congressitas movidos a interesse$ entendem: a chantagem. Não é bonito de ver. Porém...
Porém, o excesso de pragmatismo livra a platéia da hipocrisia.